Formação de Classe

Formação de Classe

A história social do trabalho vem passando por profundo processo de renovação em vários países latinoamericanos, resultado da rotinização da investigação empírica rigorosa em grupos de pesquisa estáveis em diferentes instituições acadêmicas, que levaram à descoberta de novas fontes, à exploração inovadora de antigos documentos, à proliferação de novas hipóteses e ao surgimento de categorias explicativas renovadas. Dentre as importantes inovações em curso cabe salientar a re-interpretação da escravidão como um capítulo da construção da classe trabalhadora no Brasil, na Colômbia ou em Cuba; e a redefinição global do processo geral de construção social, não da classe operária, mas das classes que vivem do trabalho, para além, portanto, do paradigma clássico centrado no trabalho industrial. Esta linha de pesquisa visa dar guarida ao diálogo entre a sociologia do trabalho e a história social do trabalho, com o objetivo de revisitar as interpretações clássicas e consolidadas sobre a formação de classe no continente, e propor novas hipóteses e leituras sobre essa formação, com atenção a três processos interligados, mas analiticamente distinguíveis: (i) a sociabilidade capitalista, aqui pensada como inter-relações resultantes do modo de operação das linhas de força que estruturam a ordem social, linhas que organizam as expectativas recíprocas de grupos e classes sociais quanto: (a) aos valores mais gerais de orientação da ação recíproca, ou da ação que toma o outro em conta; e (b) aos padrões prevalecentes de justiça, ou de bem comum, ou do que deve ser  a vida em comum; e, com ambos, as próprias ações recíprocas. A sociabilidade, então, são as trocas materiais e simbólicas, ao mesmo tempo estruturadas pelo que se está denominando linhas de força da ordem social, e estruturantes dessas mesmas linhas, trocas que, por esta mesma razão, interpelam constantemente as subjetividades, já que a todo momento exigem tomadas de posição, escolhas e decisões conducentes, de modo menos ou mais estruturado, à construção de identidades individuais e coletivas. Enquanto tal, a sociabilidade é o momento da construção de múltiplos nós e outros significativos, da atualização, verificação e confronto intersubjetivos de valores, percepções de mundo e identidades, ocorrendo, pois, num ordenamento cultural específico, sendo sempre situada espacial e temporalmente. A sociabilidade é a própria ordem social em movimento, o momento de atualização e inquirição de seus horizontes e de seu modo de estruturação, que, por isso, é constitutivo da ordem ela mesma; (ii) A consolidação do Estado capitalista e seu papel na construção dos parâmetros gerais de incorporação subordinada dos trabalhadores na ordem social capitalista, diferentes segundo os países do continente; (iii) Os aspectos recorrentes e distintos desses processos nos diferentes países da Região. Isto é, o objetivo é inquirir de forma comparativa os processos gerais de construção de classe entre nós, embora de forma sempre atenta às dinâmicas específicas de cada país.

Projetos em andamento


 

Produtos


Do aço aos carros: processos de industrialização e formação de classe no Sul Fluminense
Marcela Rabello Centelhas, Samantha de Andrade Gifalli e Thiago Brandão Peres
Primeiro Estudos – Revista de Graduação em Ciências Sociais / 2013

A baixada e o sul fluminenses como laboratórios do desenvolvimento
Gustavo Bezerra
Revista Pós Ciências Sociais / 2013

O ajustamento do trabalhador à indústria: uma homenagem a Juarez R. Brandão Lopes
Revista Latinoamericana de Estudios del Trabajo / 2011
Adalberto Cardoso

Empreendedorismo como Ideologia: análise do enfoque da revista Exame em dez anos de publicação (1990-99)
Revista de Ciências Humanas (UFSC) / 2010
Vanessa Tavares Dias e Ursula Wetzel

Tecnologias sociais e geração de renda: a economia solidária ressignificando o trabalho e a vida na Vila Acaba Mundo
Ana Cláudia de Souza Inez, Renata Versiani Scott Varella e outros
Revista Participação / 2010

A construção da sociedade do trabalho no Brasil: Uma investigação sobre sociabilidade capitalista, padrões de justiça e persistência das desigualdades
Adalberto Cardoso
Fundação Getúlio Vargas / 2010

A CUT Frente aos desafios da des-salarização
XIV Congresso Brasileiro de Sociologia / 2009
Gustavo Bezerra e Julia Polessa Maçaira

Globalization and the Class Struggle in Brazil: from the fight against Monopoly Capitalism to the struggle between the poor and the better-off
Global South / 2009
Gustavo Bezerra

Escravidão e sociabilidade capitalista: um ensaio sobre inércia social
Novos Estudos – CEBRAP / 2008
Adalberto Cardoso